O grande príncipe preto do funk

Como diz André Gabeh, todo artista morre cedo, independente de quantos anos tenha vivido.

Só que no caso de MC Marcinho, ele também era jovem de idade, o que torna sua ida ainda mais precoce e inesperada.

Príncipe, se você vai a qualquer hora, nunca saberei a hora de preparar o coração...¹

O curioso é que sempre achei que ele era mais velho. Não pela aparência nem nada, mas acredito que pela sua grandeza. 

Tão gigante que não parecia ter apenas 45 anos - parecia ter pousado na Terra no princípio de tudo e, ainda assim, ter partido cedo demais.

Por acaso é possível pensar a paisagem do Rio de Janeiro sem Marcinho de Bangu?  Acho que ficaria mais ou menos assim:

A mais bela paisagem do mundo, e também a mais triste.

Consigo facilmente imaginá-lo bebendo no Zicartola e sendo assunto principal de uma das crônicas de João do Rio. Podia jurar que ele cantou na abertura da Copa de 50, viu a final no Maracanã, e ainda batia uma bola com Garrincha.

Aposto também que ele era frequentador assíduo da casa de Tia Ciata!

Aliás, não era ele lá no centro da cidade naquele primeiro-de-março? Se bem que, se fosse, ele tinha mandado a real pro Estácio que aquele lugar já tinha dona...

Se ele não estava e parecia que viveu mais do que todo mundo que por aqui ficou, tenho certeza de que continuará por aqui, mesmo sem estar. Afinal, como dizia Wilson das Neves (que também nunca se foi!), só morre quem não presta.

O Rio, o Brasil, a música e a cultura popular agora estão mais tristes, mas nunca teriam sido tão belos se não tivessem conhecido sua grandeza, príncipe do funk. Igual a você eu sei que não tem.




¹ Adaptado do livro "O pequeno príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry.


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