Rio de Janeiro, 2 de novembro de 2025.
Achei que eu já tinha morrido tudo que podia durante a pandemia e o pandemônio. Achei que a falta de fé na humanidade já tinha matado todas as minhas expectativas a ponto de criar uma casca à prova de gente ruim. Achei que nada mais poderia me supreender.
E olha lá mais um corpo estendido no chão.
Queria sorrir e falar sobre a viagem que fiz a João Pessoa esta semana.
Queria falar de Ariano, da poesia de cordel e das palavras de origem árabe que (d)escrevem o cangaço.
Queria escrever sobre os encontros, as aprendizagens. Sobre o sol que nasce. Sobre o mar.
Mas não consigo.
Fecho os olhos e vejo mais um corpo estendido no chão.
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Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2025.
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Por que a imagem daqueles corpos enfileirados circula tanto? Por que a insistência em naturalizar e banalizar aquelas mortes?
Por que essa imagem não comove?
Olha lá mais um corpo estendido no chão.
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Rio de Janeiro, 23 de junho de 2025.
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Para além de um território específico – no qual o Estado só entra pra matar, aqueles corpos têm uma cor e têm um gênero.
Seu crime maior: ser um jovem negro favelado.
Com uma bala na nuca, o Estado acusa, julga e sentencia: morte.
| Jesus da Gente. Mangueira 2020. Fonte: TV Globo. |
E a quem interessa essas mortes? A quem interessa o comércio de armas? A quem interessa? Quem se beneficia com isso? Quem paga por isso?
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Rio de Janeiro, 02 de junho de 2025.
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Em um momento que deveria ser de luto e de luta, professoras e professores são pressionadas a voltar às escolas para aplicação da prova do SAEB¹.
Em um momento que deveria ser de luto e de luta, aumenta a popularidade do governador responsável pela máquina de moer gente que é o Estado do Rio de Janeiro.
A solução que agrada? Matar mais. Botar mais gente na rua pra matar. Gente que mata gente. Jovem negro pobre que mata jovem negro pobre. Jovem negro pobre que morre matando jovem negro pobre.
Olha lá mais um corpo estendido no chão.
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Rio de Janeiro, 06 de maio de 2025.
Professora, tá tendo guerra onde moro, n vou conseguir ir pra faculdade hoje.
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O que mais entristece, angustia e revolta é saber que absolutamente nada vai mudar – a não ser para as famílias e para a comunidade, que agora têm de andar por ruas tão cobertas de sangue quanto as mãos daqueles que, de fato, são e continuarão responsáveis pela manutenção da violência e do crime organizado.
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Rio de Janeiro, 15 de abril de 2025.
evitem a região esta tarde até tudo se normalizar
estamos falando com a reitoria visando os outros cursos que tem aula a tarde.
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Olha lá mais um corpo estendido no chão.
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¹ Sistema de Avaliação da Educação Básica.
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